O novo e controverso formato com 48 seleções tem os seus críticos (eu incluído). Ainda assim, seria injusto negar que o torneio tem proporcionado um enorme espetáculo: muitos golos, cartões vermelhos e polémicas com o VAR. Tem sido uma competição de elevada intensidade ofensiva e, por isso, esta lista reflete essa tendência (não encontrará defesas nem guarda-redes). Estas são escolhas pessoais e não se baseiam apenas nas estatísticas puras (por exemplo, Haaland marcou quatro golos e mesmo assim ficou de fora). O objetivo é destacar os oito jogadores que, na minha opinião, tiveram o maior impacto global nas suas seleções.
8. Bruno Guimarães (Brasil)
Atualmente no centro de uma intensa novela de transferências, Bruno Guimarães tem sido uma das grandes figuras do meio-campo brasileiro neste Mundial (embora o jovem marroquino Ayyoub Bouaddi tenha conseguido complicar-lhe a vida, assim como a Casemiro). Ainda assim, o médio do Newcastle revelou uma criatividade inesperada, somando três assistências sem nunca descurar as suas responsabilidades defensivas.

7. Jude Bellingham (Inglaterra)
E pensar que alguns adeptos ingleses chegaram a questionar o seu lugar na equipa de Thomas Tuchel. Como diz o velho ditado: a forma é passageira, mas a classe é permanente. O médio do Real Madrid tem sido brilhante numa seleção inglesa algo irregular, marcando dois golos e oferecendo uma assistência para ajudar a Inglaterra a terminar no topo do grupo.
Contra o Panamá protagonizou um momento de puro génio, rodando sobre si próprio antes de colocar um cruzamento perfeito para Harry Kane fazer o 2-0. Bellingham não é o típico número 10 de baixa estatura e movimentos rápidos. É antes uma combinação perfeita entre um clássico médio-centro e um criativo ofensivo, juntando a intensidade de Steven Gerrard com a criatividade de Phil Foden.
6. Yoane Wissa (República Democrática do Congo)
Yoane Wissa deixou para trás uma época dececionante ao nível dos clubes para protagonizar uma campanha memorável neste Mundial. O avançado tem sido o verdadeiro líder ofensivo da RD Congo, desempenhando um papel semelhante ao de Harry Kane: trabalha sem descanso, segura o ataque e contribui em todas as zonas do campo.
Entrou para a história ao marcar o primeiro golo da RD Congo em Campeonatos do Mundo frente a Portugal. Depois voltou a ser decisivo diante do Uzbequistão, convertendo uma grande penalidade e marcando um excelente golo em jogada individual para garantir a vitória. Tirando Lionel Messi, poucos jogadores tiveram um impacto tão determinante na produtividade ofensiva da sua seleção.

5. Denis Undav (Alemanha)
Sou fã das histórias de superação. Denis Undav trabalhava numa fábrica enquanto jogava na quarta divisão alemã antes de conseguir uma transferência para a Bélgica. Seguiu-se Brighton, onde nunca conseguiu afirmar-se verdadeiramente, até encontrar o seu espaço no Stuttgart, clube onde brilhou e conquistou o lugar na seleção alemã.
Curiosamente, ainda não foi titular neste Mundial (Kai Havertz continua a ser a primeira opção de Julian Nagelsmann), mas mesmo assim marcou três golos e fez duas assistências nos dois primeiros jogos, tudo isso em apenas 69 minutos. Frente ao Equador teve menor influência, mas dificilmente ficará muito tempo longe dos momentos decisivos.
4. Ousmane Dembélé (França)
O vencedor da última Bola de Ouro finalmente mostrou todo o seu talento no maior palco do futebol mundial. Até este torneio, Dembélé nunca tinha conseguido marcar em 19 jogos de grandes competições internacionais, um dado surpreendente para um jogador da sua qualidade.
Começou este Mundial de forma discreta, com Mbappé e Olise a roubarem as atenções na vitória frente ao Senegal. No entanto, respondeu da melhor maneira diante do Iraque, marcando finalmente o seu primeiro golo em grandes torneios e oferecendo ainda uma assistência para Mbappé. Depois protagonizou, talvez, a melhor exibição individual da competição, assinando um hat-trick extraordinário frente à Noruega.
3. Vinícius Júnior (Brasil)
Carlo Ancelotti gerou muita discussão ao convocar Neymar para este Mundial. Na minha opinião, fê-lo porque compreende a importância da liderança e do ambiente dentro do balneário. Mas não há dúvidas de que Vinícius Júnior é hoje a principal referência da seleção brasileira.
O extremo do Real Madrid dominou completamente o Grupo C, utilizando a sua velocidade explosiva e capacidade de drible para marcar quatro golos e oferecer uma assistência. Esta talvez não seja uma geração brasileira tão recheada de estrelas como outras do passado, mas Vini Jr continua a representar toda a magia e irreverência do tradicional futebol brasileiro.

2. Kylian Mbappé (França)
Mbappé entrou neste Mundial sob enorme pressão. Desde a sua transferência milionária para o Real Madrid, os títulos ainda não apareceram e as críticas começaram a surgir. No entanto, basta vestir a camisola da seleção francesa para voltar ao seu melhor nível.
Lenda viva dos Campeonatos do Mundo, Mbappé voltou a encantar os adeptos. Demonstrou grande maturidade, equilibrando o seu instinto goleador com uma maior capacidade de jogar para a equipa. Marcou dois golos em cada um dos dois primeiros encontros e, frente à Noruega, preferiu assumir o papel de criador, oferecendo duas assistências enquanto Dembélé brilhava.
Só não ocupa o primeiro lugar desta lista porque existe alguém que continua simplesmente acima de todos.
1. Lionel Messi (Argentina)
O que mais se pode dizer sobre Lionel Messi?
O génio argentino já conquistou tudo o que havia para conquistar e poderia perfeitamente estar a descansar numa praia paradisíaca. Em vez disso, continua a desafiar o tempo, utilizando a sua inteligência e técnica para permanecer no mais alto nível.
Messi tem sido absolutamente brilhante neste Mundial, marcando seis golos para se tornar no melhor marcador da história dos Campeonatos do Mundo. Mas o seu impacto vai muito além dos números.
Ao contrário de outros avançados que vivem exclusivamente dentro da área, Messi dita o ritmo da Argentina, cria espaços em zonas congestionadas e transforma qualquer jogada aparentemente simples numa oportunidade de perigo. Continua a ser a alma da seleção argentina e uma verdadeira inspiração para qualquer amante do futebol.
