A Inglaterra parecia encaminhada para disputar a sua primeira final de um Campeonato do Mundo desde 1966, quando Anthony Gordon inaugurou o marcador no início da segunda parte, em Atlanta. No entanto, os campeões em título reagiram de forma convincente, com Enzo Fernández a empatar a partida antes de Lautaro Martínez marcar o golo da vitória nos instantes finais, garantindo à Argentina um lugar na final.
Tuchel admitiu que a Inglaterra perdeu o controlo do encontro depois de se colocar em vantagem, permitindo que a Argentina assumisse o comando das operações.
“Estamos desiludidos. Estivemos muito perto, mas ficámos demasiado passivos depois de marcarmos e permitimos demasiadas oportunidades ao adversário”, afirmou Tuchel à BBC.
“Não conseguimos recuperar o controlo da posse de bola e acabámos por conceder muitos cruzamentos, remates e ocasiões de perigo. Estivemos perto, mas não conseguimos manter o mesmo nível depois do nosso golo.”

O selecionador inglês deverá ser questionado pelas substituições efetuadas, especialmente pela decisão de retirar Anthony Gordon, autor do golo, para lançar o defesa Ezri Konsa aos 72 minutos, numa altura em que a Argentina intensificava a pressão. Tuchel explicou que a alteração teve como objetivo travar o crescente perigo ofensivo dos sul-americanos e não apenas defender a vantagem.
“Sofremos uma oportunidade logo de seguida e decidimos passar a jogar com uma linha de cinco defesas porque os espaços estavam demasiado abertos”, explicou.
“Logo após marcarmos, mesmo antes de fazermos qualquer substituição, já estávamos a conceder demasiados cruzamentos e oportunidades. Tentámos corrigir isso.”
O técnico alemão também rejeitou as críticas de que as suas decisões táticas tenham sido responsáveis pela reviravolta da Argentina.
“Não. Acho que isso faz parte do futebol”, afirmou Tuchel.
“Quando se perde, surgem sempre críticas. É assim que funciona. Ninguém sabe o que teria acontecido se tivéssemos tomado decisões diferentes.
“Sou responsável pelas minhas decisões. Fui eu quem as tomou e, por isso, assumo as críticas.”
Tuchel revelou ainda que a Inglaterra procurou marcar um segundo golo, mas nunca conseguiu recuperar a posse de bola durante tempo suficiente para criar perigo.

“Claro que queríamos marcar o segundo golo, mas não senti que substituições mais ofensivas fossem resolver o problema”, explicou.
“Não conseguíamos recuperar a bola nem mantê-la na nossa posse. Não penso que tenha sido um problema estrutural, porque praticamente não alterámos a nossa organização. O jogo é que mudou completamente.”
Apesar da dolorosa eliminação, Tuchel garantiu que não pensa abandonar o cargo. Depois de renovar contrato por mais dois anos, em fevereiro, vínculo que se prolonga até após o Campeonato da Europa de 2028, que será coorganizado pela Inglaterra, o treinador afirmou que continua totalmente comprometido com o projeto da seleção.
“Vamos continuar até ao Europeu em casa, conforme previsto no contrato, e estou ansioso por esse desafio”, concluiu Tuchel. “Mesmo que, neste momento, seja difícil olhar tão longe para o futuro.”
