O Comité Executivo da CAF aprovou por unanimidade a reversão da decisão na quinta-feira, menos de um ano depois de o presidente Patrice Motsepe ter anunciado uma grande reestruturação do calendário do futebol continental. A decisão significa que a edição de 2027, que será organizada conjuntamente pelo Quénia, Tanzânia e Uganda, será seguida por outra edição em 2028.
As competições seguintes estão previstas para 2031 e 2033, com o CAN a não se realizar em 2030, de modo a evitar um conflito de calendário com o Campeonato do Mundo da FIFA.

A proposta inicial, anunciada em Dezembro de 2025, previa substituir o formato bienal do CAN por um ciclo de quatro anos e introduzir uma Liga das Nações Africanas, com o objectivo de garantir competições regulares entre as edições do torneio.
No entanto, a CAF concluiu que a proposta Liga das Nações demoraria demasiado tempo a gerar os retornos financeiros necessários para apoiar o desenvolvimento do futebol africano e fortalecer as competições da organização.
Motsepe já tinha sugerido, no início deste mês, que o organismo estava a reconsiderar a mudança, após preocupações sobre o seu possível impacto no futebol do continente.
“A decisão do Comité Executivo da CAF de restabelecer a realização do CAN de dois em dois anos tem como objectivo desenvolver, proteger e promover os interesses do futebol africano e das 54 federações-membro da CAF, bem como os dos jogadores africanos que actuam em clubes fora do continente”, afirmou Motsepe.
O presidente da CAF destacou ainda a importância de garantir que as competições da organização se tornem financeiramente sustentáveis e competitivas a nível mundial, ao mesmo tempo que se protegem as oportunidades dos jogadores africanos e das federações nacionais.

O calendário revisto não estabelece, contudo, uma sequência rigorosa de dois em dois anos. As edições de 2027 e 2028 serão seguidas por um intervalo de três anos, antes do regresso da competição em 2031.
A decisão devolve ao CAN o seu lugar tradicional como um dos acontecimentos mais importantes do desporto africano, após meses de incerteza em relação ao seu futuro.
Motsepe também manifestou confiança de que o Quénia, a Tanzânia e o Uganda irão organizar com sucesso a edição de 2027, que marcará a primeira vez que os três países vizinhos da África Oriental acolhem conjuntamente a competição.
