Messi em Luanda: um golaço para Angola – e um puxão de orelhas para toda a África?

Angola confirmou aquilo que muitos já comentavam nas esquinas e nos cafés: no dia 14 de Novembro de 2025, a seleção argentina — campeã do mundo e capitaneada por Lionel Messi – vai pisar relva angolana para um jogo amistoso em Luanda, uma das peças centrais das celebrações dos 50 anos da independência do país. Para garantir essa presença de primeira linha, o governo angolano terá desembolsado uma quantia que vários jornais apontam em 12 milhões de euros (cerca de 13,9 milhões de dólares). Um investimento que transforma um amistoso numa declaração política e simbólica.

A dimensão simbólica é quase óbvia: trazer Messi – eleito várias vezes o melhor do mundo, figura global e ícone do futebol contemporâneo – para um país africano que celebra meio século de autodeterminação é, ao mesmo tempo, festa e mensagem. É festa porque levanta uma nação inteira: cidades enchem-se, hotéis lotam, a economia local sente um impulso (restaurantes, transporte, comércio informal). É mensagem porque mostra que Angola quer ser vista como palco de eventos globais, capaz de negociar e pagar para disputar um lugar no mapa do entretenimento futebolístico mundial.

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Mas há outro elemento que esta operação revela com clareza: a capacidade (e a disposição) de alguns Estados africanos em competir pelo estrelato global através do futebol. A oferta de Angola venceu concorrentes – há relatos de que seleções e promotores como Marrocos manifestaram interesse em trazer a Argentina. Pagar milhões para garantir um jogo com Messi é um acto ambicioso, e para alguns países africanos mais pobres isso poderá soar como um motivo de frustração ou inveja. Perguntamo-nos: se Angola pode, por que não nós? E aqui se abre outro debate – sobre prioridades, desenvolvimento e soft power regional.

Qual é a real importância futebolística deste amistoso? Para a Argentina e o técnico Lionel Scaloni, trata-se de uma janela para experimentar jogadores e afinar o lote com vista ao ciclo que leva ao Mundial 2026. Scaloni já sinalizou interesse em dar minutos a nomes menos rodados – mas as notícias indicam que, desde que os termos financeiros sejam cumpridos, Messi também deverá comparecer. Para Angola, mais do que o resultado, o troféu é o momento: ver Messi em Luanda será um acontecimento que ficará nas memórias colectivas por décadas.

Agora, uma pergunta que muita gente vai colocar na praça: quando foi a última vez que Messi jogou em África? E quantas vezes já pisou o continente? No registo oficial da selecção e dos clubes, as ocasiões confirmadas nos últimos anos são poucas, mas emblemáticas. A presença mais notória de Messi em solo africano com a Argentina foi durante a Copa do Mundo de 2010, realizada na África do Sul, onde Messi foi titular e participou dos jogos do torneio. Essa edição marcou a primeira vez que um Mundial aconteceu no continente e Messi esteve entre as estrelas em campo.

Num registo de clubes, Messi esteve em África pelo Barcelona em 2018, quando o clube catalão participou de um jogo comemorativo em Joanesburgo – o Barcelona enfrentou o Mamelodi Sundowns como parte das celebrações do centenário de Nelson Mandela e Messi entrou como suplente. Esse tipo de visita de clubes europeus para jogos-evento é frequente, mas, ainda assim, ter Messi presente é um magneto mediático para qualquer estádio africano.

Portanto, resumindo: Messi já jogou em África em pelo menos duas ocasiões de grande visibilidade – a Copa do Mundo de 2010 (com a Argentina, África do Sul) e o jogo do Barcelona em Joanesburgo (2018). Entre amistosos de clubes e deslocações promocionais, houve outras passagens sporádicas de equipas europeias pelo continente, mas é raro ver o ícone argentino ao vivo em estádios africanos, o que explica a empolgação que arde em Luanda.

A reacção na África subsaariana tende a ser mista: entusiasmo, sim — afinal, ver Messi de perto é um privilégio; inveja, também – porque o custo desta operação é extraordinário para os padrões do continente. Há ainda o olhar crítico de quem pergunta se a mesma atenção e dinheiro seriam melhor canalizados para infra-estrutura desportiva, formação juvenil ou investimento em campeonatos locais. É um debate legítimo: celebrar é uma coisa; priorizar desenvolvimento desportivo sustentável é outra. Angola escolheu a celebração global – com todos os louros e críticas que isso atrai.

Para os moçambicanos e leitores do MOZ Score Sports, o evento tem também uma camada emocional e geopolítica. A região Austral de África vê-se frequentemente ofuscada por centros desportivos do Norte e do Oeste do continente; quando uma nação vizinha consegue trazer um acontecimento de magnitude planetária, há um misto de orgulho regional e uma reflexão sobre o que cada país pode fazer para repetir – ou superar – esse feito. Além disso, os nossos adeptos, muitos dos quais são fãs de Messi e da Argentina, terão um interesse especial nas notícias e nas imagens que virão de Luanda.

Por fim: este amistoso é muito mais que um jogo. É diplomacia cultural, é marketing territorial, é espetáculo e, claro, é futebol. Angola gastou milhões para garantir que o mundo olhe para Luanda por algumas horas. Resta saber que legado ficará depois dos fogos de artifício: uma memória colectiva inesquecível – ou um caso de estudo sobre prioridades? Para já, preparem-se: quando Messi tocar a relva angolana a 14 de Novembro, a festa promete ser grande. E toda a região vai assistir: com admiração, com inveja, e, esperamos, com inspiração para sonhar mais alto.

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