O cartão vermelho de Cristiano Ronaldo contra a Irlanda, em novembro de 2025, não foi apenas mais um momento de frustração. Marcou o primeiro cartão vermelho da sua carreira pela Seleção de Portugal – e de uma forma que resumiu tanto o seu brilho como o seu lado mais explosivo.
O Incidente Contra a Irlanda: Uma Estreia Amarga com a Camisola de Portugal
No dia 13 de novembro de 2025, num jogo de qualificação para o Mundial em Dublin, Ronaldo perdeu a cabeça. A perder por 2–0 contra a República da Irlanda, ele acertou uma cotovelada nas costas do defesa irlandês Dara O’Shea aos 61 minutos. Inicialmente viu cartão amarelo, mas após consulta ao VAR, o árbitro revisou a jogada no monitor e decidiu mostrar um cartão vermelho direto por conduta violenta.

Foi um momento dramático, não apenas pela expulsão em si, mas pela forma como Ronaldo reagiu: fez um gesto de choro para os jogadores irlandeses e depois aplaudiu sarcasticamente o público ao abandonar o relvado.
O cartão vermelho tem grandes implicações – não só pela possível suspensão, mas também pelo impacto simbólico. Em 226 jogos por Portugal até então, Ronaldo nunca tinha sido expulso. Mesmo o seleccionador nacional, Roberto Martínez, classificou a decisão como “severa”, dizendo que o ângulo da imagem fez a cotovelada parecer pior do que realmente foi.
Um Padrão de Paixão: As Outras Expulsões na Carreira
Embora tenha sido a sua primeira expulsão por Portugal, esta certamente não foi a primeira no currículo extraordinário do craque. De acordo com várias fontes, Ronaldo já acumulou 12 cartões vermelhos ao longo da carreira em clubes.
Aqui estão alguns dos momentos mais marcantes:
- Manchester United (2004–2007): Ronaldo teve um início ardente na Premier League e colecionou algumas expulsões. A mais famosa dessa fase ocorreu em 14 de janeiro de 2006, num dérbi contra o Manchester City.
- Portsmouth x Manchester United (15 de agosto de 2007): Uma das expulsões mais lembradas — um cartão vermelho direto por um “leve cabeceamento” a um adversário. Resultado: suspensão e muita polémica.
- Era Real Madrid: Foi em Espanha que Ronaldo viu alguns dos seus cartões mais discutidos:
- 5 de dezembro de 2009: recebeu o segundo amarelo contra o Almería.
- 24 de janeiro de 2010: expulso por atingir um adversário com o braço contra o Málaga.
- 17 de maio de 2013: cartão vermelho na final da Taça do Rei contra o Atlético Madrid.
- 13 de agosto de 2017: Supertaça da Espanha frente ao Barcelona – viu dois amarelos, sendo o segundo por alegada simulação.
- Juventus: Em 19 de setembro de 2018, Ronaldo foi expulso num jogo da Liga dos Campeões contra o Valencia, após um confronto com Jeison Murillo.
- Arábia Saudita (Al-Nassr): Em abril de 2024, viu vermelho num jogo da Supertaça Saudita contra o Al Hilal, por conduta violenta.
O Que Isto Significa Para o Legado de Ronaldo?
A carreira de Cristiano Ronaldo é marcada por grandeza – golos, recordes, títulos. Mas estes cartões vermelhos, especialmente o mais recente, mostram um lado diferente: um jogador movido pela intensidade, pela emoção, e que às vezes ultrapassa o limite.
- Emoção vs Disciplina: O talento de Ronaldo nunca esteve em dúvida, mas o seu temperamento já lhe custou alguns momentos críticos. Esta expulsão mostra que, mesmo aos 40 anos, a pressão ainda o afeta.
- Uma Mancha Internacional: Ser expulso num jogo de qualificação importante não só prejudica Portugal no imediato, mas também levanta questões sobre liderança e autocontrolo nesta fase final da sua carreira.
- Um Histórico Misturado: Doze cartões vermelhos ao longo de duas décadas não é extremo – mas muitos deles ocorreram em jogos de alta intensidade: clássicos, finais, derbies, jogos decisivos. Não é a quantidade que pesa – é o contexto.
Considerações Finais
A cotovelada em Dublin não foi apenas um gesto físico – foi simbólico. Assinalou um ponto de viragem na carreira internacional de Cristiano Ronaldo e lembrou ao mundo que, por mais conquistas que acumule, é humano e emocional.
O seu histórico de expulsões é um lembrete de que até os maiores têm os seus limites. Para Ronaldo, o vermelho contra a Irlanda adiciona um capítulo dramático à sua história lendária – um capítulo feito de frustração, intensidade e humanidade.
Se isto afetará o seu papel futuro na Seleção Portuguesa – ou o seu legado – ainda veremos. Mas uma coisa é certa: este cartão vermelho não será esquecido tão cedo.
