O que os Bafana Bafana podem aprender com as melhores seleções do Campeonato do Mundo

Os Bafana Bafana fizeram história ao alcançarem, pela primeira vez, a fase a eliminar de um Campeonato do Mundo, na 23.ª edição do torneio, disputada no Canadá, México e Estados Unidos.

Depois do pior arranque possível, com uma derrota por 2-0 frente ao México no jogo de estreia, onde terminaram reduzidos a nove jogadores após duas expulsões, os Bafana reagiram de forma notável. Empataram 1-1 com a Chéquia, graças a uma grande penalidade convertida por Teboho Mokoena aos 83 minutos.

A equipa orientada por Hugo Broos voltou a surpreender ao vencer a Coreia do Sul por 1-0, com um golo de Thapelo Maseko aos 63 minutos, garantindo assim um lugar nos dezasseis-avos-de-final, frente a outro dos anfitriões, o Canadá.

Um golo de Stephen Eustaquio já nos descontos foi suficiente para eliminar os sul-africanos, numa competição que acabaria por ser conquistada pela Espanha, inspirada por Rodri, após vencer uma Argentina muito defensiva por 1-0, graças a um golo de Ferran Torres no prolongamento.

A Espanha, orientada por Luis de la Fuente, foi amplamente considerada a melhor seleção do torneio. Manteve-se fiel à sua identidade de jogo, combinando uma defesa sólida com uma posse de bola objetiva e eficaz. A pressão alta, o domínio do meio-campo e a elevada qualidade técnica fizeram da Espanha uma equipa extremamente difícil de travar e igualmente perigosa tanto pelo centro como pelas alas.

Argentina, França e Inglaterra, todas semifinalistas, apresentaram estilos distintos, enquanto seleções como Noruega e Marrocos também deixaram uma excelente impressão ao chegarem aos quartos-de-final.

A campanha da África do Sul mostrou uma evolução clara, mas também evidenciou aquilo que ainda separa uma equipa competitiva de uma verdadeira candidata ao título.

Um dos aspetos mais marcantes do torneio foi a diferença entre equipas que procuravam assumir o jogo e aquelas que privilegiavam uma abordagem excessivamente defensiva.

Ao longo da competição, ficou evidente que as equipas que optaram por baixar demasiado as linhas acabaram, na maioria dos casos, eliminadas.

No encontro frente ao México, Hugo Broos surpreendeu ao apostar num sistema 5-3-2, procurando travar o poder ofensivo dos mexicanos. A estratégia acabou por não resultar, tal como aconteceu com a Inglaterra frente à Argentina nas meias-finais e com a própria Argentina na final, onde a equipa de Lionel Scaloni adotou uma postura demasiado conservadora.

Outro fator determinante foi a importância das substituições.

Os treinadores das principais seleções conseguiram mudar o rumo dos jogos através dos jogadores lançados a partir do banco. Romelu Lukaku marcou três golos como suplente pela Bélgica, enquanto Mikel Merino foi decisivo para a Espanha ao marcar os golos da vitória frente a Portugal e Bélgica. Bradley Barcola também teve um impacto importante quando entrou pela França.

As melhores seleções possuíam plantéis com profundidade suficiente para alterar o ritmo dos encontros sempre que necessário.

À medida que o torneio avançou, os Bafana voltaram ao seu estilo mais ofensivo e colheram os frutos dessa mudança. No entanto, frente ao Canadá, Broos voltou a optar por uma abordagem mais cautelosa, retirando Relebohile Mofokeng ao intervalo.

Enquanto o Canadá utilizou cinco substituições durante a segunda parte para renovar a intensidade da equipa, Broos apenas fez alterações aos 86 minutos, lançando Iqraam Rayners e Tshepang Moremi. Nessa altura, porém, o Canadá já dominava completamente o encontro e acabaria por marcar o golo da vitória apenas seis minutos depois.

No final, a eliminação da África do Sul ficou também ligada à falta de experiência ao mais alto nível e, em alguns momentos, à falta de confiança para assumir o jogo.

Enquanto muitas das principais seleções contavam com estrelas experientes como Lionel Messi, Kylian Mbappé e Harry Kane, a África do Sul dependia, em várias ocasiões, da criatividade de um jovem de apenas 21 anos, Relebohile Mofokeng.

Com apenas seis jogadores do plantel de Hugo Broos a atuarem fora da África do Sul, talvez a maior lição deixada por este Campeonato do Mundo seja o exemplo dado pela campeã Espanha: investir numa identidade de jogo bem definida, fortalecer as academias de formação, apostar na educação de treinadores e continuar a desenvolver talento dentro de um campeonato nacional competitivo.

Compartilhe a postagem

SUBSCRIBE

Postagens relacionadas.